Um sergipano na linha de frente da guerra na Ucrânia
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Em um conflito que atrai combatentes de todo o mundo, um brasileiro do Nordeste encontrou no campo de batalha uma causa que diz ser maior que ele mesmo.

Entre os milhares de estrangeiros que atravessaram fronteiras para lutar na guerra da Ucrânia, há um combatente brasileiro que veio de um lugar improvável para o centro de um conflito europeu: o estado de Sergipe, no Nordeste do Brasil.
Entre os colegas de unidade, o sergipano Scott — uma identidade adotada no ambiente militar que reúne voluntários de diferentes países sob uma mesma bandeira.
Desde a invasão russa em 2022, a Ucrânia passou a receber combatentes estrangeiros motivados por uma variedade de razões: convicções políticas, solidariedade internacional ou, em alguns casos, a busca por uma experiência de combate real. Para Scott, segundo relatos enviados a amigos e familiares no Brasil, a motivação foi mais simples e direta.
Ele fala de propósito.

Nas conversas enviadas ao Brasil, Scott descreve uma guerra marcada por tecnologia constante e risco permanente. Drones se tornaram parte do cotidiano no campo de batalha, sobrevoando posições e identificando movimentos. Minas terrestres transformam o terreno em um espaço onde cada passo precisa ser calculado.
“Não tem nada a ver com filme”, escreveu em uma conversa.
Ainda assim, seus relatos revelam um forte senso de disciplina e pertencimento. Ele fala da convivência com combatentes de diferentes países, do treinamento rigoroso e da confiança que se forma entre soldados que dividem a mesma linha de frente.
“Tenho bons companheiros aqui”, contou em uma mensagem.
Durante uma missão, em dezembro de 2025, Scott pisou em uma mina terrestre. A explosão resultou na amputação de um pé — uma das consequências mais frequentes em um conflito marcado por campos minados e armadilhas explosivas.
A reação do sergipano, no entanto, não foi de recuo.

Após o ferimento, ele iniciou um processo intenso de recuperação acompanhado pelo exército ucraniano. Hoje participa do programa de reabilitação para adaptação à prótese e, segundo relatos enviados ao Brasil, a recuperação vem evoluindo bem.
Entre combatentes estrangeiros e voluntários que atuam na Ucrânia, Scott é descrito como alguém que manteve o espírito de missão mesmo após o ferimento. Em uma publicação nas redes sociais, um colega o chamou de exemplo de dedicação entre brasileiros que decidiram se juntar à defesa do país.

Ele também recebeu uma condecoração por bravura por sua atuação durante o conflito.
Mesmo fora da linha de frente, Scott segue presente no cotidiano militar — visitando soldados feridos, apoiando voluntários e acompanhando a recuperação de companheiros de combate.
A experiência da guerra, segundo ele próprio descreve, muda completamente a forma de ver o mundo.
“Parece outro mundo”, escreveu em uma conversa.
Entre os combatentes estrangeiros que passaram pela Ucrânia desde o início da guerra, histórias como a dele revelam um aspecto pouco visível do conflito: pessoas que cruzaram continentes movidas por convicções pessoais e por um sentimento de responsabilidade diante de uma guerra que consideram decisiva.
Para o sergipano conhecido como Scott, o caminho agora é outro.
A recuperação e a reconstrução.
Uma nova etapa que ele encara com a mesma disciplina e determinação que o levaram da costa de Sergipe até as trincheiras da Ucrânia.
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